Qual o estatuto das línguas de sinais?

Não é incomum ouvir ou ler afirmações que diminuam o estatuto das línguas de sinais em relação à linguagem verbal. A tradição ocidental, principalmente a que remonta a Platão, Descartes e Rousseau, tende a privilegiar a abstração do verbum (palavra e, em certa medida, linguagem, em latim), pelo fato de se acreditar que este estaria mais próximo do raciocínio humano. Fato histórico que legitimou a força de tal tradição foi o Congresso de Milão (1880), que declarou formalmente o privilégio à educação oral, dificultando demais a difusão  do ensino de línguas dessa natureza na Europa.
Entretanto, há evidências de diferentes áreas de pesquisa comprovando que as línguas de sinais são línguas naturais, tal como o português. Há, por exemplo, diagnósticos neurolinguísticos das áreas de Broca e Wernicke, provando que há mais semelhanças do que diferenças entre o verbal e o não-verbal. Foi observado que, ao produzir um enunciado em língua de sinais, que não se reduz a gestos, as regiões do cérebro reconhecidas por concentrarem as atividades da linguagem verbal também são ativadas!
Outra importante evidência é a da diversidade de línguas de sinais pelo mundo. No Brasil, por exemplo, há a famosa LIBRAS e também uma língua indígena, a Kaapor, provando que trata-se de linguagens construídas e aprendidas socialmente, dentro de uma dada comunidade.

Há questões delicadas que envolvem o prestígio e as condições do ensino das línguas de sinais em qualquer parte do mundo. No Brasil, a venda de aparelhos, que podem induzir os surdos a não se identificarem com comunidades sinalizadoras, sob a égide do “direito de ouvir” e a difusão do ensino de LIBRAS em muitas instituições religiosas precisam ser melhor discutidas entre a comunidade surda brasileira.

Para saber mais sobre o povo Kaapor:

http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kaapor

Maiores detalhes técnicos acerca do funcionamento cerebral das línguas de sinais podem ser encontrados em:

http://www.enscer.com.br/pesquisas/artigos/libras/libras.html

Para conhecer materiais de LIBRAS, ver:

http://www.dicionariolibras.com.br/website/index.asp?novoserver1&start=1&endereco_site=www.dicionariolibras.com.br&par=&cupom=&email=

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