Letras Clássicas ou Línguas Clássicas? Parte II

Após apresentar a forte relação entre literatura e letras, vale indagar: mas e os povos que não possuem ou não possuíam escrita? De fato, questionar o privilégio concedido à escrita é sair das Letras clássicas e ir a caminho das línguas clássicas. Uma língua clássica não se restringe à escrita. A Grécia antiga possuía forte tradição oral, passando muito conhecimento por meio de poetas, que cantavam grandes feitos de grandes homens os elogiavam ou ainda por meio de atores, que encenavam histórias que deveriam gerar terror e piedade, segundo a definição aristotélica de tragédia. Tudo isso foi posteriormente registrado pela escrita, diferentemente da tradição védica, cujas grandes obras deveriam ser escritas em sânscrito, língua conhecida apenas pela casta sacerdotal e por eles conservada de maneira muito peculiar, indo de encontro com a própria mutabilidade das línguas naturais. Caso ainda mais intrigante é o do Tupi Antigo, considerado língua clássica pelo fato de ser base para o conhecimento de uma cultura nacional. Embora o conceito de nação sempre perpasse romantismos e politicagens, os evidentes empréstimos do português brasileiro oriundos da mais antiga língua da costa, segundo Anchieta, mostram isso, pois trata-se de palavras que fazem parte de atividades cotidianas como por exemplo, ler um nome de ruas, bairros e cidades, ir à feira e também de outras que visam exatamente à cultura como ir a um zoológico e conhecer a fauna e flora do nosso país. 


De modo geral, há diferentes concepções em jogo e, se levado em conta o caso do Tupi Antigo, algumas chegam a ser muito divergentes. Fato é que todas revelam a tentativa de preservação de um instrumento que expressa diversos ângulos das civilizações. Seja para tentar salvar uma consciência de coletividade, seja para manter de modo secreto os textos sagrados ou para quaisquer outros intuitos dos diferentes povos, as línguas tendem, na medida do possível, a ser preservadas por seus falantes.


Para o conhecimento do Tupi Antigo, ver obra de Eduardo de Almeida Navarro:

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