Que faz um filólogo? – Parte II

Houve uma oposição incomum entre linguística e filologia no Brasil. Enquanto na fundação da Universidade de Brasília, a plenos pulmões do progressismo de Juscelino Kubitscheck , pregava-se a aplicação das teorias recentes vindas dos estruturalismos americano e europeu, houve certa reação por parte de alguns filólogos do Rio de Janeiro, localizados no Colégio Pedro II. Erroneamente, a pesquisa das línguas indígenas vivas acabou se contrapondo às pesquisas sobre os textos antigos em língua portuguesa e sua comparação com textos das outras línguas românicas (francês, italiano, romeno, etc).

O advento da computação trouxe os chamados corpora de cunho histórico, tornando o serviço menos ingrato e mais complementar aos estudos sobre o funcionamento das línguas vivas. Atualmente, é comum haver acervos públicos de autores famosos em língua portugusa como, por exemplo, Machado de Assis, auxiliando tanto o interessado pela literatura do autor quanto o interessado pelo modo como funcionava a língua portuguesa do século XIX. Em ambos os casos, já não é necessário mover-se a uma biblioteca física e ainda correr o risco de estragar obras em material muito antigo.

Outro exemplo de aplicação recente se encontra nos estudos da chamada Crítica Genética, que analisa textos literários em conjunção de seus manuscritos, quando existentes. Os franceses Marcel Proust e Paul Valery, assim como Guimarães Rosa, são alguns autores que deixaram anotações que hoje, por meio da retomada do método filológico neste campo de crítica, podem dizer muito sobre trechos ambíguos ou mesmo trazer informações não contidas no texto final. Trata-se de considerar a obra literária como apenas o início de uma análise que se debruça até os primeiros esboços das obras.


Por fim, pode-se dizer que o filólogo contribui para relacionar os estudos de uma dada língua com sua cultura, história e literatura, fortalecendo a interdisciplinariedade inerente ao estudo sobre as línguas, já que elas sempre comunicam sobre fatos de uma dada sociedade.

Aos interessados por textos antigos em língua portuguesa, uma boa indicação é o site da
Brasiliana Digital, projeto recente da Universidade de São Paulo:

Segue abaixo link para o filme “O nome da rosa”, mencionado no primeiro post: 

Retomando a questão em aberto na postagem passada: afinal, a filologia serve pra alguma coisa hoje em dia?

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