Línguas oficiais da ONU – Parte II

Tendo em vista os questionamentos da postagem anterior, é preciso compreender que boa parte dos países do mundo apresentam uma realidade plurilingue. Embora haja no Brasil uma crença de que só se fala português em todas as partes das terras tupiniquins, o que há de mais frequente no mundo é um contexto de diglossia, no qual a língua que se fala não é a mesma que se escreve. Assim, o árabe padrão, próximo do árabe clássico, costuma ser a língua oficial do países majoritariamente islâmicos (Emirados Árabes, Marrocos, Egito, Arábia Saudita, etc), também utilizada para fins diplomáticos como, por exemplo, um discurso político em evento da ONU. Outro exemplo é o do guarani que, embora possua sua variante escrita, ela é demasiado recente, remontando à Constituição do Paraguai (1992) e, por essa razão, ainda pouco standardizada. Ou seja, é preciso diferenciar língua oficial de língua materna pois, no caso brasileiro, muitos cidadãos pertencentes a sociedades indígenas possuem uma língua indígena como materna enquanto que o português é a língua a ser aprendida na escola, a língua da lei, do hospital, etc.



Caso faça sentido pensar que a natureza das línguas oficiais são instrumento de poder, então ale pensar que políticas reformistas, tal qual o Novo Acordo Ortográfico, são apenas reflexos de conflitos ideológicos dos líderes onde se fala a língua portuguesa. Portanto, vale menos o critério gramatical a ser usado na nova ortografia do que os interesses da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), estreitamente vinculados a interesses de otimização da produção editorial em português, o que auxiliaria na inserção de tal língua dentre o seleto grupo da ONU. Obviamente que, se os critérios econômicos são fundamentais nessa política linguística, o português brasileiro, falado no país de economia mais saudável nos dias atuais, será forte candidato à variante a ser falada numa hipotética língua portuguesa falada na ONU. Não à toa, a ortografia seguida no Brasil foi a que menos sofreu alterações com o Novo Acordo.



Para os interessados, há artigo sobre acordos entre Brasil e Portugal em prol da padronização do português brasileiro:



O link abaixo apresenta a argumentação da CPLP em prol do Acordo Ortográfico, calcado sobretudo por critérios de ordem econômica:

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