Compreendendo os olhares europeus sobre a Índia – Parte V

Partindo da hipótese do indo-europeu, proposta por Sir William Jones e reforçando a tese da invasão ariana, de Max Müller, alguns estudiosos alemães dos séculos XVIII e XIX se valeram de elementos linguísticos do sânscrito para legitimar teorias idealistas que culminaram em teorias eugênicas como, por exemplo, o nazismo do século XX. Um dos símbolos contidos no partido socialista de Adolph Hitler é a chamada suástica. 
O romantismo alemão, calcado numa busca pelas origens do povo alemão, em prol da afirmação de uma nação alemã, baseou-se na tradição indiana. Propondo uma fuga da realidade, Friedrich Schlegel (1772-1829) voltou-se ao sânscrito, que seria, segundo o autor, a criação da linguagem indo-europeia. Semelhante a Max Müller, reivindicou a superioridade da língua alemã devido ao seu parentesco com o sânscrito.  Desta forma, uma civilização próxima da origem é mais perfeita e, consequentemente, superior às demais. Tal argumentação ecoa em entrevista do filósofo Martin Heidegger, em entrevista concedida ao jornal alemão Der Spiegel, em 1966.
A palavra swastika em sânscrito era uma saudação de despedida utilizada na conversação, no momento em que o enunciador deseja bom agouro ao enunciatário. O morfema su- significa algo como bom e tal sentido positivo também se encontra no signo não-verbal, emprestado pelo budismo que, em língua japonesa, chama-se manji. Sistema de pensamento formado em período tardio da civilização bramânica, o budismo traz consigo um signo que, até hoje, traz um significado muito distinto para os olhares ocidentais do pós-guerra. O signo da suástica causa certo temor no mundo ocidental, devido ao forte vínculo com a memória do nazismo, evidenciando como o olhar europeu se apropriou de conceitos indianos. 
Para relativizar nossa relação com os símbolos a que somos expostos diariamente, é interessante notar a mensagem passada pelo vídeo abaixo, disponível no youtube:
Talvez tal mensagem, sobre a multiplicidade de significados de um mesmo símbolo, seja mais sensata que a procura por um sentido verdadeiro sobre a suástica.

2 comentarios en “Compreendendo os olhares europeus sobre a Índia – Parte V

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