Compreendendo os olhares europeus sobre a Índia – PARTE VI


Boa parte da crítica aos olhares europeus sobre a Índia deveu-se à expansão do cientificismo no século XIX. Após o início a divulgação da obra de Charles Darwin, muitos acadêmicos europeus passaram a aplicar o pensamento evolucionista ao estudo das culturas. Este movimento foi como um estopim de críticas na obra do sanscritista William Dwight Withney (1827–1894). Interessante notar que esta crítica ao etnocentrismo do ocidente, oriunda de um estudioso ocidental, conseguiu rebater grande número de argumentações preconceituosas de modo muito sintético, por via de uma reflexão sobre as línguas naturais e, em particular, sobre a língua sânscrita.

Withney criticou tanto o romantismo alemão, defensor da busca de uma origem sinônima de perfeição, quanto a tendência de se considerar as línguas como organismos vivos, semelhantemente ao tratamento científico realizado pelas ciências naturais daquela época. Em vez disso, o filólogo americano propunha que as línguas naturais devem ser entendidas como instituições sociais, o que o levou a efetuar duras críticas a Max Müller.



Uma vez que o sânscrito, por via do tratamento que a casta bramânica lhe concedeu, apresentou-se como uma língua imutável, parte de uma instituição religiosa, Whitney considerou indispensável pensar as línguas naturais em sua dimensão social. Uma língua por ela mesma tende a mudar a cada instante, mas são seus falantes que detém o poder de criar uma normatividade, dizendo o que lhe é certo e errado, ou o que deve mudar e o que deve permanecer na língua escrita.
Desta forma, pode-se dizer que foi observada uma semelhança entre o universalismo romântico e o evolucionismo cientificista: ambos deixavam de lado a importância de relativizar a diversidade humana, observada nas línguas naturais à medida que se afirma que nenhuma língua é superior ou inferior às demais. Pelo contrário, é o uso de seus falantes, seres políticos, que fará com que uma língua possua mais prestígio que outra e vice-versa.
Além de elaborar listas enormes de raízes sânscritas, Whitney deixou seu legado com a produção do Century Dictionary, certamente o mais importante dicionário enciclopédico de sua época. Segue abaixo o link para consulta:


Obs: é necessário baixar um plug-in (DjVu) para visualizar as imagens conitdas nas entradas lexicais.

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