Compreendendo os olhares europeus sobre a Índia – PARTE IX

O que faz ainda hoje discutirmos uma descoberta do Vale do Punjab? Os indianos, nao falam sobre si? O fato de boa parte das culturas não serem descritas e explicadas por elas mesmas, ou seja, por membros da cultura em questão é, infelizmente, um tema demasiado recente e, por essa razão, ainda sofre resistência por parte do meio acadêmico das universidades do mundo. Afinal, por quê não é o indiano quem explica a cultura indiana? Ora, é muito provável que, n momento em que um europeu analise uma cultura que lhe é diferente, por mais cauteloso e respeitoso que seja, parece haver problemas de tradução cultural irreversíveis.
O problema da tradução cultural é algo que envolve a relação íntima entre linguagem e cultura, algo muito menosprezado mesmo por historiadores que se dizem dotados de senso crítico. Houve uma virada culturalista nos estudos de história que se convencionou chamar de pós-colonialismo, cujos estudos possuem atenção redobrada às dimensões da micro-história: ao invés das condições econômicas impostas pelos colonizadores, estuda-se, por exemplo, como os hábitos cotidianos das pessoas traduzem a situação histórica de um povo.





Gayatri Spivak é um dos fortes nomes da Teoria pós-colonial. Mulher e indiana, carrega dois pilares de toda a subjugação efetuada pela civilização ocidental para com as demais populações. Seu famoso ensaio “Can the subaltern speak?” questiona até que ponto o discurso de respeito contido, por exemplo, nos documentários britânicos sobre o Vale do Punjab, não silenciam a voz autêntica de um membro da cultura analisada. A filósofa e crítica literária, muitas vezes chamada de pós-moderna pelos seus algozes, trata de problemas muito comuns. Não é incomum estranharmos quando um indiano nativo explica sua própria cultura, principalmente porque estamos acostumados a ver europeus cumprindo tal tarefa, algo semelhante a quando um aluno critica um professor no contexto da sala de aula. A voz do subalterna existe, mas ela nunca parece ser desejada, causando muita surpresa quando é ouvida. Talvez isso ocorra porque, de fato, não é permitido haver espaço para a voz do subalterno.





Por ser autora contemporânea, há muitos artigos de Spivak disponíveis em formato pdf e longos discursos no Youtube. Segue abaixo seu texto fundador e uma palestra sobre a importância do tema do subalterno em seu pensamento:
http://www.mcgill.ca/files/crclaw-discourse/Can_the_subaltern_speak.pdf

http://www.youtube.com/watch?v=2ZHH4ALRFHw

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