Preconceito linguístico – o que é já sei, mas por quê ainda se faz?



Ainda hoje não é incomum escutar exclamações indignadas quanto ao (mal) uso da língua portuguesa, algo que nos lembra afirmações (disparatadas) disparadas por uns certos professores. Mas do trabalho do professor Dr. Marcos Bagno  com seus mais de dez anos, alguém se lembra? Voltemos, pois, ao tema dessa postagem que não é elogiar o excelente livro publicado pela editora Loyola nos idos anos de 1999, mas discutir por que razão ainda hoje é comum presenciarmos gestos de um claro preconceito linguístico.

Não pretendo parafrasear o texto, prefiro que o leiam, pois ali temos desmistificados alguns dos mitos sobre o uso de nossa língua. (A nossa mesma, não a outra, aquela que nos obrigam a decorar, a língua do outro). Queria usar como pretexto para uma reflexão sobre algo que me ocorreu por esses dias.

Como professora, aluna, pesquisadora e falante, sou curiosa e tento não engessar meus conceitos, embora  faça parte de um mundo universitário quase paralelo. Porém, sei que há por aí muita gente que se aferra a seus conceitos e não sente necessidade de mudar e foi isso o que eu presenciei.

Vi um anúncio de uma escola de idioma que buscava professores de português que fossem dinâmicos, dedicados para trabalharem em uma empresa que tinha muitos anos de experiência e uma preocupação com a comunicação no idioma, respeitando o aprendizado do aluno. Interessada, quis saber mais. Fiz minha inscrição para a vaga e esperava um processo seletivo interessante, pois a escola prometia…

Prometia mundos e fundos, mas deixava a ver navios, isso sim! O processo seletivo se mostrou não só retrógrado como carregado de preconceito linguístico. Eu tinha que comprovar o meu domínio linguístico (isso mesmo demonstrar que eu domino a língua e não o contrário), ou seja, colocar frases, vírgulas e pontos além de conjugar verbos e acentuar frases completamente desprovidas de contexto e significado.

Não discuto a necessidade de uma norma (se realmente é ou não necessária), nem mesmo a noção de adequação aos diferentes registros e situações que transita um indivíduo no seu dia a dia. Só queria propor uma reflexão: Qual o sentido de se aprender uma língua? Ainda mais quando se é estrangeiro e se está imerso na cultura? Seria mesmo um abismo linguístico que alguém dissesse que assistiu o jogo ou ao jogo? Não entenderíamos o que se diz? Qual a importância de saber que o aumentativo de cabeça é cabeçorra, ou que o superlativo de magra é macérrima? Quando queremos destacar a mudança no de alguém, estou segura que nem de longe nos ocorre dizer que está “macérrimo”, saímos com um “magérrimo” sem hesitar.

Enfim, sem me alongar peço que passemos a pensar no que é uma língua, uma reflexão que propus num outro texto e que reforço. Termino com uma frase do professor Dr Sírio Possenti de um texto que recomendo sobre o que eu gostaria de ter dito, mas não disse: “Isso não significa dizer que a norma culta não é relevante ou que não precisa ser ensinada. Significa apenas que as normas não cultas não são o que sempre se disse delas. E elas mereceriam não ser objeto de preconceito e acrescento (se me permitem) E também que ambas as normas poderia ser repensadas no processo de ensino-aprendizagem.

Link do texto do prof. Sírio Possenti:

http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/palavreado/preconceito-linguistico

Link para o site do prof. Marcos Bagno:

http://marcosbagno.com.br/site/

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