A morte de quem reavivou o interesse sobre as línguas indígenas no Brasil

Na última sexta-feira, 25 de abril, morreu Aryon Dall’lgna Rodrigues, linguista responsável pela instauração do laboratório de línguas indígenas da Universidade de Brasília (UnB) em 1999. Sabe-se que, no Brasil, a experiência mais efetiva de ensino de uma língua indígena no Brasil se deu na Universidade de São Paulo, com a criação da cadeira de Tupi, em 1935. A importância do mestre Aryon foi justamente a de ampliar os estudos para outras línguas tupi e outros troncos linguísticos. Os estudos sobre o tronco Jê, que é considerado, inclusive, um tronco  originário  e circunscrito à região brasileira, foram iniciados por ele.
Essa ampliação dos estudos sobre as línguas indígenas também acompanhou a abertura das universidades aos indígenas brasileiros. Na UnB, passou a haver a possibilidade de indígenas estudarem sua própria língua, bem como pensarem a educação escolar indígena como um todo, com o instrumental universitário. Alguns exemplos são bem significativos para se ter a dimensão das conquistas.

A dissertação de mestrado de Edilson Melgueiro Baniwa, sobre a semântica na língua baniwa, foi traduzida de modo resumido ao nheengatu, língua materna do aluno indígena, que realizou esse fato inédito após a sugestão do professor Aryon Rodrigues.
O doutorado de Gersen Luciano Baniwa, sobre a educação escolar indígena, defendido na mesma instituição, fundou as bases para a elaboração de muitas escolas diferenciadas, sobretudo na região amazônica, maior porção do território brasileiro, cuja diversidade linguística e cultural chama a atenção de todo o mundo.

Hoje, são ensinados o tupi antigo, o nheengatu e o guarani em cursos gratuitos da universidade de São Paulo, por iniciativa do professor Eduardo Navarro e de seus alunos. Assim como a UnB pode aprender com a instituição paulista, a recíproca é válida, haja vista que as ações afirmativas indigenistas em São Paulo se restringem à UFSCar, onde os alunos das escolas diferenciadas passam a ocupar espaços no centro-sul brasileiro. Somente somando as contribuições de Aryon Rodrigues com a dos seus discípulos é que seu nome poderá ser melhor lembrado. Se seu nome for lembrado com carinho pelos povos indígenas, talvez seu êxito estará consumado.
Abaixo, temos os links para os textos de Edilson e Gersen, assim como uma entrevista de Aryon Rodrigues disponível no Youtube e sites das instituições mencionadas:

http://www.laliunb.com.br/

http://tupi.fflch.usp.br/

http://paraguaiteete.wordpress.com/2013/06/25/ditam-curso-de-conversacao-em-lingua-guarani-no-brasil/

http://repositorio.unb.br/handle/10482/9931

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