Inovação educacional: experiências latino-americanas de ruptura do paradigma colonialista

Por Antônio Neto

 

Apresentação

 

A independência econômica e o desenvolvimento local como resultados da participação social na gestão democrática dentro e fora de escolas, têm constituído  processos sociais de consolidação de aspirações comunitárias na América Latina. A contribuição dessa oficina organizada pela APEESP e destinada especialmente aos professores de idiomas vem a ser, então, político-pedagógica, fornecendo troca de experiências oriundas de países latino-americanos a respeito de tentativas diárias de ruptura do paradigma colonialista da escolarização convencional.

Raízes históricas e problemáticas

 

I O que os estudantes relatam ter aprendido nas aulas de espanhol?

II O que é preciso para oferecer ensino de espanhol da forma como você gostaria que fosse?

III Quais temas os estudantes costumam trazer nas aulas? Essas tendências poderiam ser incorporadas?

 

O artigo 206 da Constituição Federal do Brasil, de 1988, traz o princípio da liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber, amparando juridicamente esse tipo de questionamentos em prol de um planejamento democrático. Entretanto, a conduta mais comum dos órgãos do Executivo brasileiro e de outros países latino-americanos, no entanto, vem sendo acentuar controles, criar obstáculos e buscar a homogeneidade da educação escolar, tolhendo a criatividade e especialmente desrespeitando as características próprias de cada local, dos corpos docentes e das populações às quais a escola, coletivos, núcleos, etc. devem servir, fixando calendários uniformes, horários de funcionamento, temas que compõem currículos e até mesmo orientações pedagógicas e procedimentos de avaliação que se impõem aos docentes.

N-based education, e-larning…

E quando a gamificação se tornar rotina nas escolas? A Antropologia, a Linguística e a Pedagogia trouxeram provocações importantes referentes à escolarização moderna. Educação inovadora não significa formar empreendedores nas escolas, nem tecnologia de ponta a todo momento.

maquina semântica.gif

(Atividade com a máquina semântica, realizada em evento do coletivo EPARREH)

 

Essa ironia sobre as tecnologias quer evidenciar que, para além de aspectos curriculares, disciplinares e metodológicos, a principal chave de interpretação para a inovação é político-pedagógica. Ela diz respeito a quem decide numa comunidade escolar sobre o que se quer executar.

Esses movimentos impositivos que tendem à homogeneização podem ser identificados em diversas políticas públicas de países latino-americanos, principalmente nas muitas reformas educacionais que ocorreram durante os séculos XVIII e XIX, nas quais uma elite intelectual tomou a frente para decidir, em muitos casos, por uma população inteira. Em resposta a essa tendência, que tem sido chamada de paradigma colonialista da educação, muitas experiências locais apontam alguns princípios que fomentam a ruptura dessa rotina da realidade educacional:

kupixa kaapuamu.png

(Mapa mental produzido por estudantes da Licenciatura indígena da UFAM a partir de uma reflexão sobre as fontes de conhecimento para a educação escolar indígena)

 

A) a história das ideias de inovação e reforma surgem no marco do movimento europeu da Escola Nova, que priorizam a observação nos aprendizados das pessoas e não no que se quer ensinar, além de uma contínua revisão do que se convencionou chamar de educação tradicional, marcada por sanções muito severas aos estudantes. Vale chamar atenção para autores como Ferrer i Guardia, Freinet e Paul Robin;

B) os educadores são articuladores e não meros transmissores de conteúdos e comportamentos;

C) há fluidez entre educação formal e não-formal, entre intercâmbios de experiências de pessoas de distintas origens e trajetórias, sendo a educação de adultos um caso emblemático;

D) há pesquisas e publicações próprias da comunidade escolar, trazendo importância histórica para os processos de educação de adultos e de comunicação popular;

E) principalmente, todos os recursos e tecnologias podem se tornar didáticos, dependendo da habilidade de integração dos coletivos envolvidos. Esse tipo de mobilização por mudança nas formas de educar podem também incorporar e legitimar práticas tradicionais ou ainda categorias nativas de pensamento de um povo.onde há apropriação dos recursos do próprio território, parece haver inovação. E daqui se chama inovação o conjunto de movimentos sociais em busca da ruptura do paradigma colonialista. Vale, então, destacar que a inovação educacional, dentro dessa acepção, se diferencia das reformas educacionais e ultrapassa a noção atrelada às tecnologias e infra-estruturas ditas avançadas.

Campanha de sensibilização filmada na escola indígena Baniwa Koripako Pamaali (EIBK)

De fato, há muitas possibilidades da inovação: na estrutura física, no uso dos recursos(alimentação, fontes de conhecimentos, fontes de renda) e, especialmente, na mudança de atitudes em prol da participação social. O que há de comum em meio a esas possibilidades identificadas nessa oficina é a natureza oposta à reforma educacional, formando um par que configura forças de mudanças educacionais. Por essa razão, independentemente da ações planejadas pelos governos sem consulta das comunidades escolares, cabe ao professorado avaliar as melhores oportunidades para realizar o inverso e, seguramente, as associações de professores de espanhol têm sido exemplares no Brasil, através das campanhas #ficaespanhol  por todo o Brasil.

MAPA DO MEC COM AS ESCOLAS RECONHECIDAS COMO INOVADORAS:

http://simec.mec.gov.br/educriativa/mapa_questionario.php

 

REFERÊNCIAS:

 

GHANEM, Elie. De cima para baixo: políticas educacionais em São Paulo.

https://otra-educacion.blogspot.com/

https://malhafinacartonera.wordpress.com/2017/05/10/o-passo-a-passo-cartonero-da-malha-fina/

https://educacaointegral.org.br/glossario/

https://campossalles.wordpress.com/

 

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